domingo, 23 de setembro de 2018
Joaninha - 59
quinta-feira, 19 de outubro de 2017
O ginásio - 58
Estava eu em conversa no Skype com a minha neta Sofia que começou
a fazer ginástica a sério há pouco tempo, quando decidi dar-lhe a novidade de
que também me tinha inscrito num ginásio perto de casa e estava a gostar muito.
Então ela perguntou o que é que eu fazia no ginásio. Disse-lhe que tinha andado
na passadeira quinze minutos e ela logo se manifestou:
- Andar? Mas tu já sabes andar? Andas na rua, para que é que vais
para o ginásio “andar”?!
Fiquei sem resposta, mas logo me esforcei para lhe explicar que
“andar” no ginásio não é a mesma coisa e falei das máquinas e para que servem,
etc. E de repente Sofia respondeu:
- Ah, já sei, é ginástica para velhos!
Na semana seguinte, logo que apareceu no skype começou a fazer
cambalhotas muito difíceis para que eu pudesse apreciar as novas habilidades
dela nas suas aulas de ginástica. Então perguntei-lhe se continuava a gostar
das aulas e ela respondeu que sim. De seguida quis saber se eu continuava a ir
ao meu ginásio e respondei-lhe que sim. Perguntou se eu também dava cambalhotas
e, rindo, respondi que não. Porquê? Porque a avó não tem idade para
cambalhotas, expliquei eu. E fazes "rodas", perguntou novamente.
Rodas? Também não. Sofia, respondeu então:
- "Grande seeeeeca!"...
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
"Boring" - 57
Sofia
sabe a história do nascimento dos bebés do jeito dela e tem a sua opinião sobre o assunto.
Estando
de conversa com a mãe e as avós acerca do seu nascimento, ela acha muito bonito
e muito interessante o papel da mãe, que recebe do pai uma sementinha e dentro
de si a faz crescer, desenvolvendo-se durante um período de nove meses, para
finalmente sair prontinha, deliciando-se com a ideia de ter passado por essa
experiência, pelo que até acarinha a mãe num gesto delicioso de gratidão e
amor.
Porém,
quando se fala no papel do pai, que pôs a sementinha na mãe, ela faz saber o
seguinte:
- Oh,
não, o pai só pôs a sementinha e isso é muito “boring”!... (?)
segunda-feira, 28 de agosto de 2017
Os mortos - 56
Sofia
seguia no seu próprio assento no banco detrás do meu carro enquanto eu a levava
a casa, depois de ter passado com ela algum tempo num parque infantil.
A
conversa foi parar aos mortos, nomeadamente o avô Armando e outros familiares
que já faleceram. Arrematando a conversa, resolvi dizer que estavam todos no
céu. Sofia começou a ficar muito agitada, contrariando-me e dizendo “o céu…
isso não existe”!
Pensei
que tinha ouvido mal, mas ela continuou barafustando e eu, apontando para cima,
perguntei-lhe se aquilo azul era ou não o céu. Ela respondeu que sim, mas que
os mortos não iam para ali, iam para o cemitério.
Bom,
depois de uma argolada destas, por momentos fiquei sem palavras. Foi o
suficiente para ela ganhar terreno e continuar as suas sentenças:
- Isso
não existe, se queres acreditar nisso, acredita, “dahaaaaa”… (!)
Beijooooooo - 55
A avó
Filu tinha acabado de receber uma mensagem de um amigo, onde se podia ler
“beijooooooo”, apenas isso e comentou com a Tânia (filha), o que tinha acabado
de receber.
Sofia,
que fez recentemente seis anos, correu para a avó a fim de inspecionar a dita
mensagem no telemóvel e tendo visto o que a avó acabara de mencionar, logo
tratou de fazer os seus reparos. Que uma mensagem não deve ser assim, deve
dizer mais coisas e ter mais palavras.
A avó
Filu achou por bem o reparo da sua neta querida e aproveitou para dizer que ela
tinha razão e, portanto, nem se ia dar ao trabalho de responder.
Por
sua vez, a Tânia, interveio para dizer que não, que a mãe deveria no mínimo
agradecer. Então a avó Filu decidiu que responderia apenas com um “obrigado”.
Sofia não se fez esperar e mais uma vez aconselhou a avó como responder
devidamente à mensagem do beijooooooo:
- Então responde
“obrigadooooooo”.
terça-feira, 25 de julho de 2017
A chegada do Pai Natal - 54
Sofia
tinha ido para a cama a muito custo. Não queria dormir. Mas já passava da hora
dela. Chamou a mãe vezes sem conta. Falava sozinha, fazia barulho e os pais já
estavam cansados por ela não sossegar. Naquela noite lembrou-se que queria a
luz da casa de banho acesa. Depois, já era a luz da cozinha. O facto é que não
sossegava de jeito nenhum. De repente lembrei-me de lhe dizer umas palavras
mágicas que resultaram na perfeição. Foi tiro e queda. Disse-lhe que faltava pouco
para o Natal e como NY era uma cidade muito grande, o pai Natal já devia andar
por aí...
Ela levantou a cabeça para ouvir melhor o que lhe estava a dizer, pois se era
sobre o Natal, a conversa era importante, por isso, logo perguntou com uma
interjeição "hum"? Continuei, dizendo-lhe que se o Pai Natal já
andava por aí, era melhor apagar as luzes, assim, mesmo que ela não estivesse a
dormir, ele pensaria que sim.
E de
repente fui bruscamente interrompida por uma vozinha aflita, dizendo
energicamente: "Ai, apaga, apaga!"
Apaguei
as luzes e em cinco minutos a Sofia dormia que nem um anjo.
No outro dia quando a mãe perguntou o que se tinha passado que, de
repente, sem mais nem menos, tinham deixado de a ouvir, a Sofia olhou para a
mãe e respondeu: eu dumi. O pai Natal passou aqui na janela!
Dani - 53
Eu estava de olho na criançada, enquanto estávamos todos na
gelataria, desfrutando de sabores os mais variados, numa noite de calor.
Dani estava sentado no parapeito de pedra exterior da montra de
uma loja, dando cabeçadas no vidro, pelo que a certa altura a senhora veio cá
fora e disse-lhe qualquer coisa que não entendi, achando por bem
intervir.
Aproximei-me dele e disse-lhe que não podia dar cabeçadas no vidro
porque podia parti-lo e ainda ficar magoado. Dani olhou para mim com o
narizinho malandro empinado e com a sua carinha de desenho animado, olhos
grandes e pestanudos, respondeu:
- "Já di e magoei-me".
sexta-feira, 4 de setembro de 2015
O Emílio - 52
O Emílio é um fofo e tem uma superpaciência com a Sofia que,
contrariamente ao Emílio, está sempre muito agitada e grita com ele e nunca
quer perder e se chateia muito, apesar de gostar muito do amiguinho.
Os dois estavam brincando em casa da Sofia que, como sempre,
queria mandar em tudo e ditar as regras do jogo a seu belo prazer, falando ao
mesmo tempo Inglês e Português. Inglês, porque residem nos Estados Unidos e
Português porque, enquanto a Sofia é filha de portugueses, o Emílio é filho de
mãe americana e pai brasileiro. E nesse dia a Sofia estava particularmente
chata, tanto que, apesar de toda a sua paciência, o Emílio que é muito
tranquilo, já estava a ficar tão cansado do desatino da amiguinha, que foi
obrigado a ir ter com os pais dela, dizendo: "Ai, já tô ficando
in-có-mó-da-do!..."
quinta-feira, 3 de setembro de 2015
O avô Armando - 51
Com quatro anos, a Sofia ainda não tem a noção da morte. E porque o avô
paterno faleceu antes ainda de ela nascer, a mãe, saudosa do pai, de vez em
quando, fala-lhe do avô Armando que está no céu.
Achando tão
estranho ouvir falar em alguém que não pode vir e sem perceber que razão tão
forte é essa, a Sofia já perguntou à mãe:
- "Mas
ele não vem porquê, não tem a chave?"
sábado, 1 de agosto de 2015
Os sonhos do Vasco - 50
O Vasco, que vive na Suíça, está de volta a Portugal com os pais e
o irmãozinho, para passarem férias com a avó. Na casa de férias, o Vasco
dorme no mesmo quarto com a avó Zá.
Uma noite, à hora de se ir deitar, a avó deu-lhe as boas-noites e
disse-lhe que tivesse "sonhos cor-de-rosa".
Ao que parece, o Vasco não gostou muito dos sonhos cor-de-rosa,
porque disse à avó: "não avó, não... sonhos cor-de-rosa, não".
Apercebendo-se do lapso que eventualmente teria cometido, a avó então
perguntou-lhe se podiam ser azuis, por exemplo.
O Vasco, então, mais tranquilo, respondeu: "azuis, pode ser,
sim, azuis".
domingo, 19 de julho de 2015
Histórias de Sofia - 49
Era uma vez um grande leão. E depois um menino pensava que o leão o estava a comer. E depois o leão estava muito forte. E depois o menino pensou que o leão tinha luz na sua barriga e nos pés. E depois o menino foi a correr para o leão não o comer. E depois o menino encontrou uma menina. E depois o leão estava a comer os dois. O senhor que tinha uma faca cortou o leão e a menina e o menino disseram “yeh... nós estamos salvos!”.
FIM
Um dia um menino deixou cair um brinquedo. E depois
ele não sabia onde é que estava. E depois ele encontrou um amigo novo. E depois
ele disse: “vamos brincar no mar”. E depois ele disse: “eu quero brincar na
areia contigo”. E depois ele disse que queria brincar às escondidas na areia. E
depois ele não sabia onde é que estava o papá e a mamã dele. E depois ele viu
que estava noite. Esta história é um bocadinho triste.
FIM
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
O Vasco - 48
O vasco é um garotinho de quatro anos, muito
fofo, filho de mãe portuguesa e pai suíço, que por isso vive na Suíça. Vem com
frequência a Portugal e fala muitas vezes com a avó materna que vive em Lisboa.
No dia 10 de Junho a mãe disse-lhe que era o
dia de Portugal e que iam falar à avó. O Vasco não se fez esperar, correu para
o skype, ligou para a avó e assim que a viu, logo tratou de a informar:
- Avó Zá, Portugal faz anos hoje!
terça-feira, 18 de novembro de 2014
A carta do Pai Natal - 47
Sofia é uma pequenina muito "safada"
e muito esperta.
Aproximando-se a época natalícia, os pais
disseram-lhe que estava na altura de escrever uma carta ao Pai Natal para pedir
os presentes que gostaria de ter, mediante o seu bom ou mau comportamento.
Ao contrário do que se esperava, a
Sofia não se mostrou muito interessada. Os pais diziam-lhe "vamos
escrever", mas ela não estava mesmo interessada. Perguntaram-lhe porque é
que ela não queria escrever a carta e ela respondeu simplesmente:
"amanhã". Os pais insistiam e ela continuava aparentemente
indiferente, respondendo sempre o mesmo "amanhã".
Intrigados, os pais perguntaram: "porque não hoje"? Então ela, na sua
pureza de criança, respondeu com toda a verdade possível:
- "Amanhã, poque hoje, ainda
vou potar um bocadinho mal" (!)
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Palavras - 46
A Sofia ia sentada na sua cadeirinha no banco de trás do carro,
como de costume. E eu ouvia-a a falar, falar, sem perceber nada do que ela
dizia, enquanto ía entretida a ver a vista pela janela do carro.
A páginas tantas perguntei-lhe o que é que ela estava a falar, que
não estava a perceber. A Sofia, pequenina, respondeu:
- "Tô a falá palavas"... (?)
Os papeles - 45
Eu tinha feito uma colecção com as embalagens dos pacotinhos do
café, que tinham uns desenhos muito amorosos, com situações muito
diversificadas, mas cujo tema é sempre o "amor", relacionado com o
café. E como eram bastantes, arranjei até uma bolsinha, mesmo à medida, para os
guardar e dar à Sofia, porque achei que ela ia achar graça aos desenhos.
Assim que o carro começou a andar, tirei a bolsa do meu saco de
mão e dei-lhe. Ela espreitou, tirou as embalagens todas que caíam e eu apanhava
e ficou toda contente com aquilo. Quando chegámos, dado que íamos levá-la a
brincar ao parque, a mãe convenceu-a a entregar-lhe a bolsinha, que guardou no
saco dela, dizendo-lhe que depois lha daria novamente. Ela aceitou.
No regresso, entrando no carro e instalada na sua cadeirinha,
logo se lembrou das embalagens do café, gritando: os "papeles"!
E enquanto a mãe lhe dizia para esperar um pouco ela continuava a gritar
"os papeles!"... "os papeles!"...
sábado, 2 de agosto de 2014
Perguntas difíceis - 44
A
Tânia estava a deitar a Sofia que já estava com soninho. Foram à casa de banho
para fazer o último xixi antes de pôr a fralda que só já usa para a noite.
E no
calor da noite das férias do Algarve, com a Sofia excitadíssima por estar todos
os dias na companhia dos primos e com todos os tios e toda a família por perto,
em que cada dia traz coisas novas e surpresas e muita praia e piscina, muita
canseira boa... a Sofia na sua ingenuidade de criança ainda tão perto de ser
bebé, com a curiosidade pueril e a vozinha diabolicamente angélica,
pergunta:
- Mãe, como é que se ama? (?!)...
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Os "pimos" - 43
As crianças são uma delícia!...
A Sofia fez três anos há poucos dias. Estávamos de férias no
Algarve e todos os dias ela estava com os primos na praia.
Muita brincadeira, muita excitação, muito gelado, muito tudo...
ela adora os primos.
Um dia, para que eu ficasse a saber, ela virou-se para mim
e com um ar compenetradíssimo, disse-me "os pimos são meus pimos".
Ok.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
Outa? - 42
A
Sofia foi com a sua mamã para Amesterdão, ter com o pai, para passarem
juntos umas mini-férias de Páscoa.
Acontece
que ela já anda a aprender inglês, porque em setembro vai para os Estados
Unidos, onde ficará dois anos e para não ser um choque muito grande com a
língua, já se está a providenciar o ensino do inglês, ainda que de forma
ligeira. Mas por isso, ela já sabe que não se fala só o Português, ou seja, há
outras maneiras de falar. Pelo menos outra maneira de falar e essa outra maneira
de falar é o inglês, que ela diz "igalês".
Então
a mãe explicou-lhe que iam de avião para uma terra diferente, Amesterdão e
que lá não se falava Português. Falava-se Inglês e Holandês.
A Sofia, docemente perplexa, olhou para a mãe e perguntou:
"outa"?!...
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Terrorista - 41
A Sara é uma menina da comunidade Guineense, que faz parte do
grupo de crianças a quem dou apoio escolar no Prior Velho, juntamente com outros voluntários.
Ela é uma menina simpática, meiga, bem esperta e muito
bonita, com as trancinhas sempre muito bem feitas e sempre muito bem vestida.
Esta semana fui dar-lhe apoio nos trabalhos. Sentei-me junto dela
e perguntei quais eram as dúvidas, ao que ela logo me respondeu que não sabia
fazer "aquilo". Aquilo era formar quatro frases com palavras a partir
da palavra "terra". Então vamos lá, disse-lhe eu. É muito fácil.
Primeira palavra formada a partir de "terra". Ela olhou para mim e com
um tom cheio de convicção, respondeu:
- Terrorista (?)
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Quando eu for grande... - 40
A
Sofia adora estar com os primos para todo o tipo de situações. No fim de semana
passado, mais uma vez, passou com eles algumas horas e depois os pais tiveram
que levar o Daniel, que fez recentemente um ano, para casa da avó, o qual foi
transportado no respectivo ovo.
No
carro, ao lado do primo, começou logo por fazer cena porque não queria a mãe ao
pé. Queria ser ela a tomar conta dele a cem por cento. Depois, quando chegaram
a casa da avó, o pai pegou no ovo com o Daniel lá dentro e a Sofia continuou a
guerra dela porque queria ser ela a levar. Depois de ter percebido que não
podia ser, consentiu que o pai pegasse e ela desse uma ajuda, o que muito
dificultou as coisas.
Finalmente,
quando chegou a casa da avó e percebeu que o primo ia lá ficar, a guerra
explodiu de vez. Ela queria levar o Daniel para casa dela e ser ela a tomar
conta dele. Gritou, esperneou, chorou, chorou muito, muito, muito e quando,
enfim, percebeu que era inútil porque, com dois anos, não poderia de maneira
nenhuma tomar conta do primo, entre soluços, disse à mãe:
- Quando eu for grande quero ser mamã de bebés.